quinta-feira, 15 de março de 2012

Reflexo

Penso que sinto e sei o que penso,
Numa redoma guardei olhares.
Não é fácil entender o recado
O espelho é complicado de mais
Finjo que vejo, vejo que finjo
E nada além de interrogações barbadas
O olhar cansado diz mais da alma,
A alma cansada reflete no olhar.
A boca seca relata a falta,
A falta que faz seca a boca.
O tempo que passa envelhece a pele,
A pele que envelhece enruga.
A marca que fica traz a experiência,
A experiência que fica me confunde no espelho.

T.Rodrigues

terça-feira, 13 de março de 2012

Do mar dá dó de amar

Do mar dá dó de amar
Encontrei a terra a quem me comprou
Comprou com prosa, bossa nova
Grama verde, tesouro e frescor

Se no céu se é sentido
Sente a lua, afunda o grito
Paga o preço do descaso
Me padeço e compareço
Sinto o frio do infinito

Avante a estibordo
Contra vento inventado
Maresia que sinto é cina
É cheiro de sal contrariado

A cor da corda acorda
Acorda o menino da proa
Vai gritar pro grilo da praia
Que a terra já avistou!

T.Rodrigues

sexta-feira, 9 de março de 2012

Sinônimo do Contrário (Poema)

De que valeria o cansaço sem a rede
a canção sem a viola
a vida sem a morte
a luta sem vitória?

O que seria do ânimo sem o desespero
do carinho sem o beijo
do cobrador sem passageiro
da criança sem o berço?

Pra onde iria o sentido sem as palavras
o celular sem as chamadas
o conto sem as fadas
a santinha sem a malvada?

Por que penso que sei o contrário
do que escrevo e do que falo
E assino esse contrato
De fingir ser poeta imaginário?

T.Rodrigues

quinta-feira, 1 de março de 2012

Carta ao Tempo (Poema)

Vou escrever uma carta ao tempo...
Pra poder ganhar mais tempo.
Pra poder curtir a brisa da tarde
Ou uma manhã qualquer de momento.

Vou escrever uma carta ao tempo...
Ingrato! Teimoso! Sereno...
Que nervoso me deixa quando manda esse vento
Suspirar no meu ouvido que tenho pouco tempo.

Vou escrever uma carta ao tempo...
Pra não perder nenhum segundo.
Desse que me rouba a vida, o alento
Tenho ciúmes, inveja, me iludo.

Vou escrever uma carta ao tempo...
Vou sim, com certeza!
Pra ele comunicar ao patrão
Que de vida, ainda nem cheguei na sobremesa!

Vou escrever uma carta ao tempo...
E depois volto pra te contar.
Que de todos os olhares que já vi na vida
No seu eu pude me encontrar.

T. Rodrigues.